local 1

CNPEM e Sirius fecham acordo de colaboração científica com maior colisor de partículas do mundo

Por CABN em 04/12/2020 às 11:01:42
Parceria com o CERN estabelece colabora√ß√£o e compartilhamento de recursos em qualquer √°rea de interesse mútuo, em especial nas tecnologias aplicadas à física de aceleradores, ím√£s e materiais supercondutores. Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4¬™ gera√ß√£o, refor√ßa a ciência no enfrentamento do novo coronavírus

Nelson Kon

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que abriga o superlaboratório Sirius, em Campinas (SP), firmou nesta sexta-feira (4) acordo de coopera√ß√£o científica e tecnológica com a Organiza√ß√£o Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), respons√°vel pela opera√ß√£o do maior colisor de partículas do mundo.

O acordo estabelece colabora√ß√£o e compartilhamento de recursos em qualquer √°rea de interesse mútuo, em especial nas tecnologias aplicadas à física de aceleradores, ím√£s e materiais supercondutores.

H√° a possibilidade de que estudos que possam ser desenvolvidos no CNPEM e no Sirius ajudem no projeto do Futuro Colisor Circular (FCC), quatro vezes maior que o Grande Colisor de H√°drons (LHC), em opera√ß√£o na divisa entre Suí√ßa e Fran√ßa.

"A parceria do CNPEM com o CERN permitir√° o desenvolvimento de projetos conjuntos em diversas √°reas, em especial a de supercondutividade. Como todo projeto de alta tecnologia, haver√° um grande envolvimento da indústria nacional que se beneficiar√° do projeto em √°reas como no desenvolvimento e constru√ß√£o de criostatos, desenvolvimento e fabrica√ß√£o de fios supercondutores e materiais para operarem condi√ß√Ķes extremas, desenvolvimento de eletrônicas r√°pidas de potência e diagnóstico, entre outros", destaca, em nota, James Citadini, gerente de Engenharia e Tecnologia do CNPEM.

"Por 30 anos, o Brasil tem sido um forte parceiro nas atividades científicas do CERN. A assinatura deste novo acordo aumentar√° nossa colabora√ß√£o em pesquisa científica, treinamento, inova√ß√£o e no compartilhamento de conhecimento na √°rea de tecnologia de aceleradores", disse, em nota, Frédérick Bordry, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN.

lhc

Andrew Strickland / cortesia Cern 7-8-2010

Sirius x LHC, quais as diferenças?

Apesar de serem aceleradores de partículas, o Sirius, em Campinas, e o LHC s√£o muito diferentes no modo de opera√ß√£o e objetivos científicos.

No Grande Colisor de H√°drons (LHC), feixes de prótons s√£o acelerados em dire√ß√Ķes opostas, em um anel com 27 km de extens√£o, para que se choquem entre si. "Pesquisadores detectam e analisam as colis√Ķes para estudar a matéria em uma escala subatômica e investigar a estrutura mais fundamental do universo", detalha, em nota.

Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil

J√° em rela√ß√£o ao Sirius, que é uma fonte de luz síncrotron de 4¬™ gera√ß√£o, elétrons s√£o acelerados em uma única dire√ß√£o, sem colidir uns com os outros - eles devem circular de maneira est√°vel por longos períodos para gerar a luz capaz de analisar a estrutura de diferentes tipos de materiais em escala de √°tomos e moléculas.

Para efeito de compara√ß√£o, o anel em que os elétrons s√£o acelerados para gerar a luz síncrotron no Sirius tem 500 metros de extens√£o - como eles s√£o acelerados a 99,9% da velocidade da luz, os elétrons percorrem esse túnel 600 mil vezes por segundo.

Estação de pesquisa Manacá, primeira a ficar pronta e operacional no Sirius, em Campinas (SP)

CNPEM/Divulgação

Sirius em operação

Maior projeto científico brasileiro, o Sirius realizou em julho os primeiros experimentos ao obter imagens em 3D de estruturas de uma proteína imprescindível para o ciclo de vida do novo coronavírus.

Em setembro, um grupo do Instituto de Física da USP de S√£o Carlos utilizou o acelerador na busca por uma "chave" para desativar o novo coronavírus. Foi o primeiro experimento de pesquisadores externos no Sirius.

Em outubro, a linha de luz batizada de Manac√°, a primeira das 14 previstas na primeira fase, passou a operar oficialmente e a aceitar propostas de outros objetos de estudo que n√£o a Covid-19.

Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, afirmou na ocasi√£o que a organiza√ß√£o social vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inova√ß√Ķes (MCTIC) tem recursos garantidos para a montagem de seis dessas 14 linhas de luz. Para o restante, o projeto ainda depende de verba que n√£o est√° garantida.

"Precisaria de algo em torno de R$ 180 milh√Ķes no ano que vem, mas os recursos est√£o em negocia√ß√£o [...] mas o ministério entende que é uma obra priorit√°ria e o presidente deu a entender que tem prioridade", disse Silva.

Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP).

CNPEM/Sirius/Divulgação

O que é o Sirius?

Principal projeto científico do governo federal, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4¬™ gera√ß√£o, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de √°tomos e moléculas.

Além do Sirius, h√° apenas outro laboratório de 4¬™ gera√ß√£o de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia.

Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons s√£o desviados para uma das esta√ß√Ķes de pesquisa, ou linhas de luz, para realizar os experimentos.

Esse desvio é realizado com a ajuda de im√£s superpotentes, e eles s√£o respons√°veis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o di√Ęmetro de um fio de cabelo.

Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron

Infogr√°fico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1

Veja mais notícias da regi√£o no G1 Campinas

Fonte: G1

Comunicar erro
local 2

Coment√°rios

local 3