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Pedagogo de Curitiba faz curso gratuito para ajudar professores com aulas online e alcança quase 70 mil pessoas

Por Portal A Voz Da Cidade em 01/10/2020 às 09:24:37
No Paraná, aulas presenciais estão suspensas há seis meses por causa da pandemia do novo coronavírus. De acordo com o pedagogo Geraldo Azevedo, a primeira aula do curso teve 12 mil alunos, enquanto a última contou com 68 mil

Jeff Borba/Divulgação

Há seis meses, os estudantes do Paraná estão sem aulas presencias por causa da pandemia do novo coronavírus. O ensino remoto virou uma realidade para professores e alunos – mesmo eles não estando preparados para isso.

Percebendo a dificuldade dos profissionais da educação, que precisaram de adaptar do dia para a noite para as aulas online, o pedagogo de Curitiba Geraldo Peçanha resolver criar um curso gratuito para ajudá-los com as aulas virtuais.

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Reprodução/RPC

"O professor foi impactado não só pelo isolamento, mas pela necessidade de se reconstruir. Ele tinha que se tornar um professor online, um tutor online e um desbravador. Mas ele não recebeu formação para isso, a escola não tinha estrutura", afirmou Peçanha.

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De acordo com ele, a primeira aula do curso teve 12 mil alunos, enquanto a última contou com 68 mil. O curso foi online e com aulas ao vivo em agosto. Como elas continuam disponíveis na internet, já alcançaram quase 70 mil pessoas, segundo Peçanha.

Peçanha contou que os professores que participaram do curso são de todos os estados do Brasil e de outros 11 países.

"Montei um curso para o professor se qualificar no percurso para ele ser o professor desse aluno que está em casa", disse.

Dificuldades

Peçanha afirmou que a primeira dificuldade dos professores foi a falta de estrutura para fazer o curso, o que, conforme ele, revela também a adversidade em se ter uma estrutura adequada para dar as aulas.

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Além disso, há o problema da falta de internet ou da baixa velocidade dela. Peçanha ainda disse que se deparou com histórias impactantes, como a falta de energia elétrica em localidades da região Norte do país. Tem professor que, segundo ele, sequer tem luz em casa.

"Tem relatos da pessoa que não consegue saber a diferença de um site para um e-mail. A professora, com toda a dificuldade, é a professora do Brasil. É a professora da escola pública", afirmou o pedagogo.

A maior parte dos docentes que fizeram o curso de Peçanha é formada por profissionais da rede pública de ensino. Segundo ele, 96% são mulheres entre 35 e 49 anos.

O Paraná tem, conforme a Secretaria da Educação e do Esporte, 90 mil profissionais da Educação na rede pública e 1,07 milhão de alunos.

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Geraldo Azevedo fez um curso gratuito para ajudar professores com aulas virtuais

Reprodução/YouTube

Rede de solidariedade

Para o pedagogo, a "maior glória" dessa situação foi ver a solidariedade se desdobrando.

"Criou-se um movimento de solidariedade cujo impacto é ininterrupto".

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Peçanha contou que professores que passaram pelo curso dele e que já estão com mais destreza no ensino remoto estão ajudando outros profissionais. Ele avaliou que a pandemia ensinou que se cresce no coletivo.

"Se nós compartilhássemos nossos saberes, chegaríamos mais rapidamente aos resultados melhores que a gente tanto espera", afirmou o pedagogo.

Aulas de Geraldo Azevedo atingiram quase 70 mil professores

Jeff Borba/Divulgação

Ampliando horizontes

Silmara Volpato é diretora de uma escola particular de Curitiba que atende alunos da Educação Infantil até o 5º ano do ensino fundamental.

Escola tem 18 profissionais de educação (foto tirada antes da pandemia)

Escola Grande Aprendiz/Divulgação

O quadro de funcionários é formado por 15 professores, coordenadora e orientadora, mais a diretora.Todos fizeram o curso de Peçaha, incluindo Silmara.

Ela disse que essa oportunidade ampliou os horizontes dos profissionais da escola.

"O medo começou a ter tomado por uma esperança, por uma possibilidade de novas estratégias, o que acabou por estimular os professores", afirmou Silmara.

Ela disse que o coronavírus pegou a escola, assim como todo o mundo de surpresa. Silmara definiu a mudança do ensino presencial para o virtual foi um desafio.

Escola passou a fazer aulas online e ao vivo

Escola Grande Aprendiz/Divulgação

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Também relatou que a escola não estava preparada para essa mudança brusca.

"Como a gente ia garantir o aprendizado das crianças? Além de garantir o aprendizado, como ter a interação para que as crianças se interessassem? Como garantir a atenção e ainda o aprendizado?"

A equipe de organizou e se instrumentalizou para fazer aulas ao vivo, assim que percebeu que a pandemia estava se estendendo e que as aulas presenciais demorariam para voltar.

Os profissionais, de acordo com Silmara, usaram os equipamentos que tinham em casa, e a escola disponibilizou quadro e material de papelaria. Contudo, para a diretora, o que fez a diferença para que o aprendizado ocorresse foi a criatividade e até a expressão corporal de cada um deles.

"Por ser um desafio, eles trocaram experiência, se ajudaram. Então, a equipe acabou se unindo mais. Nessa união, foram buscar qualificações, textos e estratégias que viessem a agregar para melhorar as aulas", afirmou.

Escola precisou se adaptar por causa da pandemia do novo coronavírus

Escola Grande Aprendiz/Divulgação

Mudança na educação

Silmara acredita que, como todas as adaptações que foram necessárias devido a pandemia, a educação mudou.

"A gente percebeu a necessidade de a escola mudar. A escola não é apenas aquela que fica dentro do muro. O aprendizado ocorre para fora dos muros da escola: em casa, em um parque, em uma interação, na casa do vô, da vó. Tudo pode ser um laboratório de aprendizagem", disse.

A diretora afirmou que, para ela, a escola não volta mais a ser como era. Silmara prevê uma nova configuração em que o aluno é ainda mais valorizado como protagonista.

"Professor, aluno e família e contexto social farão o aprendizado acontecer. A escola se reinventou e vai melhorar".

Para Silmara, a escola não voltará a ser a mesma (foto tirada antes da pandemia)

Escola Grande Aprendiz/Divulgação

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Fonte: G1 PR

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