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Vacina AstraZeneca: entenda qual a proteção da 1ª dose e qual o motivo do intervalo de três meses para a 2ª

Por CABN em 01/05/2021 às 05:20:22
Estou seguro só com uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca? A resposta é sim. Mas isso n√£o significa abandonar as medidas n√£o farmacológicas como higiene das m√£os, uso de m√°scaras e o distanciamento social. Uma dose da vacina de Oxford j√° oferece uma prote√ß√£o de 76%. VÍDEO: Perguntas e respostas para quem j√° tomou a vacina contra a Covid-19

Diferente da CoronaVac, que tem um intervalo de 28 dias entre as doses, a vacina de Oxford permite um distanciamento maior entre a primeira e a segunda inje√ß√£o: três meses. Mas qual o nível de imunidade obtido apenas com uma dose? A pessoa que for vacinada com a Oxford est√° segura nesse intervalo de três meses?

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O infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira da AstraZeneca/Oxford no Brasil, Julio Croda, explica que sim, uma dose da vacina já confere uma porcentagem alta de proteção.

"A efic√°cia de uma dose da AstraZeneca é bastante elevada. Uma dose da vacina j√° tem uma efic√°cia de 76%, superior a 50%, exigidos pela OMS. De 100 pessoas que tomam a vacina, 76 estar√£o protegidas a partir do 22¬ļ dia", explica Croda.

Entretanto, mesmo com uma efic√°cia alta, é preciso completar a vacina√ß√£o com a segunda dose, refor√ßa Croda. "Após a segunda dose, a prote√ß√£o aumenta. Você sai de 76% para 81% de prote√ß√£o. [Receber] Uma dose j√° é muito bom, mas precisa da segunda. Quanto maior for sua prote√ß√£o, melhor".

O infectologista também alerta que as medidas preventivas (uso de m√°scaras, distanciamento social, higieniza√ß√£o das m√£os, evitar aglomera√ß√Ķes) precisam continuar, mesmo depois de receber a primeira dose.

Atualmente, o imunizante é respons√°vel por 22% das doses aplicadas no Brasil, mas esse número tende a subir. Em maio, a Fiocruz pretende enviar 21,5 milh√Ķes de doses de vacinas contra a Covid-19 ao Programa Nacional de Imuniza√ß√Ķes (PNI), do Ministério da Saúde.

Efic√°cia alta com uma dose

Em fevereiro, um estudo publicado na revista The Lancet apontou que o intervalo maior entre as doses (os três meses) resulta em uma maior efic√°cia do que um intervalo de seis semanas. Segundo os pesquisadores, uma dose da vacina trouxe 76% de efic√°cia a partir de 22 dias após a aplica√ß√£o. E uma boa notícia: a prote√ß√£o n√£o reduziu ao longo dos três meses. Com a vacina√ß√£o completa (duas doses), a prote√ß√£o chega a 81%.

Andrew Pollard, professor da Universidade de Oxford e um dos autores do estudo, alertou que a segunda dose é necess√°ria, j√° que ainda n√£o est√° claro quanto tempo a prote√ß√£o com uma dose pode durar.

"A longo prazo, uma segunda dose deve garantir imunidade de longa duração. Por isso, encorajamos todos que tomaram a primeira dose a tomar a segunda", explicou Andrew Pollard, professor da Universidade de Oxford.

Que vacina é essa? Oxford Astrazeneca

Diminuição na transmissão

Além de promover uma prote√ß√£o alta após a primeira dose, a vacina de Oxford também pode ter a capacidade de reduzir em até 67% a transmiss√£o do novo coronavírus.

Um outro estudo, publicado pela Public Health England (PHE), agência de saúde da Inglaterra, analisou duas vacinadas usadas no país: Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca. Segundo os pesquisadores, uma dose das vacinas é capaz de reduzir a transmiss√£o domiciliar pela metade. A pesquisa ainda n√£o foi publicada em revista científica.

Transmiss√£o da Covid-19 cai pela metade com apenas uma dose das vacinas da Pfizer ou Oxford

Os pesquisadores observaram pessoas infectadas pelo coronavírus três semanas depois de tomarem uma dose e concluíram que o risco delas transmitirem o vírus para outro morador da mesma casa, que n√£o tenha sido vacinado, cai até 49% (entre 38% e 49%).

A vacina também impede que a pessoa imunizada (em qualquer faixa et√°ria) desenvolva infec√ß√£o sintom√°tica no início, reduzindo o risco em cerca de 60% a 65% quatro semanas após uma dose.

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Cuidados devem continuar

Uma dose da vacina pode conferir uma prote√ß√£o alta, mas isso n√£o significa abandonar as medidas n√£o farmacológicas. A pessoa imunizada deve continuar usando m√°scaras, deve evitar aglomera√ß√Ķes e precisa manter a higiene das m√£os.

"As medidas preventivas devem continuar. Nós ainda estamos numa elevada transmiss√£o. Estamos com três mil óbitos di√°rios e sabemos que muitas pessoas ainda n√£o foram vacinadas. Além disso, temos as novas variantes. Enquanto n√£o tivermos 80%, 90% da popula√ß√£o vacinada, devemos manter as medidas", alerta Croda.

Estudos ainda est√£o sendo feitos para comprovar que as vacinas conseguem interromper a transmiss√£o do vírus, como j√° explicou a vice-diretora da Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS), Mari√Ęngela Sim√£o.

"A vacina é uma das ferramentas para auxiliar a passar essa fase aguda da epidemia, mas n√£o é a única. As vacinas que temos disponíveis n√£o comprovaram serem eficazes para a transmiss√£o da doen√ßa. Elas s√£o eficazes para evitar que a doen√ßa progrida para casos graves".

VÍDEO: 'Vacina é uma das ferramentas para auxiliar a passar essa fase aguda da epidemia, mas n√£o é a única', diz vice-diretora da OMS

VÍDEOS: Vacina√ß√£o no Brasil

Fonte: G1

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