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Famílias começam a enterrar vítimas da tragédia no metrô da Cidade do México

Por CABN em 05/05/2021 às 14:36:48
25 pessoas morreram e 79 ficaram feridas após uma via elevada ceder e dois vagões caírem em uma avenida movimentada na noite de segunda-feira (3) na capital mexicana. Local onde viaduto do metrô da Cidade do México desabou quando vagões passavam em 3 de maio de 2021. Dezenas de pessoas morreram e ficaram feridas.

Henry Romero/Reuters

José Luis Hernández Martínez cruzava a Cidade do México todos os dias pela linha 12 do metrô, entre sua casa na zona sul da capital mexicana e a oficina onde trabalhava consertando carros destroçados.

Miguel Ángel Espinosa Flores, de 42 anos, trabalhava em uma loja de departamentos em um shopping perto da Avenida Tláhuac e sempre pegava o metrô após o trabalho.

Carlos Pineda, um dentista de 38 anos, deixou para trás sua esposa e seus dois filhos, de 7 e 13 anos.

José, Miguel e Carlos são 3 das vítimas do acidente no metrô da Cidade do México, após uma via elevada ceder e dois vagões caírem em uma avenida movimentada na noite de segunda-feira (3).

A composição atingiu veículos que trafegavam pela via e ao menos 25 pessoas morreram, inclusive crianças. Outras 79 ficaram feridas.

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Guilherme Luiz Pinheiro/Editoria de Arte

A linha 12 é a maior e mais nova linha do metrô da capital mexicana, mas está repleta de problemas desde que foi inaugurada, em 2012.

Ela liga a zona sul da cidade, ainda semi-rural, a toda a cidade. Cerca de 220 mil passageiros usam todos os dias a linha 12, que é a 7ª mais movimentada do metrô.

José morreu instantaneamente, disse seu filho Luis Adrian Hernández Juarez. "Meu pai foi resgatado sem sinais vitais, com traumas no tórax, no cérebro, nos pés e nos joelhos", disse o jovem segurando o atestado de óbito do pai.

Luis afirmou à agência de notícias Associated Press que, segundo a equipe de resgate, seu pai foi esmagado por outros passageiros. "É realmente terrível ver seu pai assim pela última vez".

José foi uma das 25 vítimas de um dos piores acidentes de metrô do mundo, que começaram a ser enterradas nesta quarta-feira (5) em meio à raiva e à frustração das famílias.

"Ninguém vai me devolver meu pai, mesmo que me deem 10 milhões de pesos [cerca de R$ 2,5 milhões]", afirmou Luis, preocupado por sua mãe não ter uma fonte de renda.

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Marco Ugarte/AP

Equipes de resgate trabalham no local onde um viaduto do metrô desabou com vagões com passageiros dentro na Cidade do México em 3 de maio de 2021

Luis Cortes/Reuters

Causas da tragédia

Uma investigação preliminar aponta que uma falha nas vigas de suporte horizontal da via elevada causou o acidente, segundo autoridades locais.

A prefeita Claudia Sheinbaum pediu à população que evite especulações e prometeu uma investigação completa e independente. Um relatório preliminar deve ser apresentado na sexta-feira (7).

Entre os primeiros alvos da ira da população estão a diretora do metrô, Florencia Serranía, e o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, que era prefeito da cidade quando a linha foi construída e inaugurada.

Serranía disse na terça-feira (4) que a linha recebia uma inspeção diária "muito rigorosa" e ela também tinha sido vistoriada em junho de 2020, após um forte terremoto na capital mexicana.

Ebrard, que foi prefeito da Cidade do México entre 2006 e 2012, é considerado um possível sucessor do atual presidente do país, Andrés Manuel López Obrador.

Após a tragédia, Ebrard disse que os responsáveis ??devem ser identificados e que ele se colocava à disposição das autoridades.

Vista aérea dos vagões do metrô da Cidade do México pendurados após viaduto desabar e deixar dezenas de mortos e feridos

Fernando Llano/AP

Chefes de família

As conclusões da tragédia podem levar meses (e culpar os responsáveis provavelmente levará ainda mais tempo), mas as famílias das vítimas já sofrem também com as necessidades imediatas da perda de quem garantia o sustento da casa.

Gisela Rioja passou a noite de segunda e a manhã de terça vasculhando hospitais da cidade em busca de informações sobre seu marido, Miguel Ángel Espinosa Flores.

Ele trabalhava em uma loja de departamentos em um shopping a poucas estações de onde ocorreu o acidente e sempre pegava a linha 12 após o trabalho, mas não chegou em casa e parou de atender ao telefone.

Rioja finalmente encontrou Miguel na terça-feira (4), em um necrotério no bairro de Iztapalapa. Ela o descreveu como um trabalhador esforçado, responsável e feliz. Ela e seus dois filhos dependiam dele.

"Quero Justiça para meu marido porque um simples pedido de desculpas não vai trazê-lo de volta", disse Rioja. "Ele era meu amor. Ele era tudo para mim. Dói muito, muito, muito por causa da forma como acabou".

Parentes das vítimas chegam ao local onde viaduto do metrô da Cidade do México desmoronou e deixou dezenas de mortos e feridos

Henry Romero/Reuters

Luisa Martínez sentou-se do lado de fora dos escritórios do governo municipal em Iztapalapa na tarde de ontem esperando a libertação do corpo de Carlos Pineda, marido de sua sobrinha.

Pineda era dentista, tinha 38 anos e deixou sua esposa e seus dois filhos de 7 e 13 anos. "Era ele quem apoiava a família. Agora eles ficam sem renda", lamentou Martínez.

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Fonte: G1

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